Há um
grande risco para a sociedade humana moderna, em especial a brasileira. Não é
de hoje que coletividades enfraquecidas são manipuladas e submetidas por líderes
que se tornam seus ditadores. Tal quadro político e social ainda é visível nos
continentes Africano e Sul-americano, nos quais praticamente inexiste ou há um tímido
desenvolvimento sócio-econômico e cultural. Nesse contexto, as carências servem
de caldo de cultura no qual o ditador do momento cresce e passa a dominar. Não
se pode olvidar que nem mesmo o Velho Continente deixou de acalentar seus ditadores.
Mais do que isso, na verdade, foi justamente a Europa quem escreveu na história
da humanidade os piores e mais sangrentos capítulos e quem forneceu os mais
perniciosos e cruéis personagens nefastos. Podemos considerar como exemplo
apenas dois: Adolf Hitler e Napoleão Bonaparte.
A despeito
de períodos históricos distintos, porém nem tão distantes na linha do tempo, a
França de Napoleão e a Alemanha de Hitler viviam momentos de crises e enfrentavam
semelhantes e graves problemas econômicos e sociais.
Normalmente
esse quadro começa a ser visualizado como decorrência de instabilidade econômica
que leva à fragilidade de comando, criando uma correlata instabilidade política.
Vale dizer, é instaurado um círculo vicioso no qual uma crise alimenta a outra.
Diante desse quadro ocorre, como consequência, o agravamento e degradação das
condições sociais. No âmbito
privado a insegurança inviabiliza a manutenção ou o desenvolvimento das
atividades econômicas, restringe substancialmente os empreendimentos e a soma
dessas incertezas aumenta o nível de desemprego, reduz a produção e o PIB e,
por fim, instaura um medo coletivo que alimenta a cultura inflacionária que,
por sua vez, agrava ainda mais as crises sociais (econômicas, políticas,...),
fazendo girar cada vez mais rápido o referido círculo vicioso.
Já no
âmbito público os serviços à população perdem qualidade, os funcionários e
servidores deixam de ter como foco principal a sua Função Pública e passam a se
concentrar precipuamente na satisfação de suas condições pessoais. O comando
estatal fica fragilizado, perde credibilidade e por tudo isso não consegue
manter a rotina de atendimento dos objetivos e necessidades da sociedade.
A ocorrência
concomitante de todas essas circunstâncias permite a ascensão de um líder ou de
um grupo o qual a coletividade vê como o salvador da pátria, ou seja, a pessoa que
resolverá todos os seus problemas, ou, pior, se submete pela força, a um
comando ditatorial.
O momento
vivido pela sociedade humana é muito preocupante, eis que em todos os
continentes há grupos e Nações vivenciando situações semelhantes.
A violência
está a cada dia mais banalizada. Matar ou morrer se tornou um fato comum. A dor
e o sofrimento alheios não emocionam mais e não preocupam os demais
semelhantes. Os grupos fragilizados, necessitados de mais, maiores e melhores
atenção e atendimento são justamente os mais perversamente agredidos. Nesse
passo, se vê diariamente muitos vulneráveis sendo agredidos e mortos. Crianças
são desprezadas ou abusadas, mulheres são agredidas e violentadas, idosos e
portadores de necessidades especiais são considerados invisíveis ou estorvos.
A corrupção
se tornou um fato comum. As famílias estão se transformando, deixando de ser
formadas biologicamente. Há um desvanecimento do sentimento de unidade familiar.
Os indivíduos se afastam de seus familiares em prol do sentimento de pertencimento
e de integração a um grupo social.
O paradigma
familiar é substituído por um ídolo carismático que na mesma velocidade emerge
e desaparece em meio à multiforme atividade social. Em muitas ocasiões são celebridades
que surgem, distorcem princípios básicos da sociedade e na mesma velocidade
desaparecem, deixando apenas o seu mau exemplo e uma herança nefasta para as
novas gerações.
A mudança
comportamental, tanto dos grupos como dos indivíduos, deslocou o mote de suas
ações. Antes havia união em favor ou movida por princípios. O objetivo da união
era defender ou preservar princípios, contudo, hodiernamente são os interesses
pessoais a principal ou única razão, tanto para a união como para as ações
coletivas ou individuais. Ainda que possa parecer paradoxal, ao invés de termos
a união de forças para a realização de interesses coletivos, se tem a união de
esforços exclusivamente para a satisfação de interesses individuais, sob a
falsa alegação de atendimento de interesses da sociedade.
Muito mais
pode ser agregado a essa análise, mas de tudo isso pode se depreender a
observação de um quadro que fornece oportunidade para o aparecimento de novos
líderes carismáticos ou manipulação da sociedade por grupos políticos, religiosos
e econômicos ou representantes deles, na verdade laranjas, em qualquer lugar do
mundo, desde o mais recôndito país da África até nosso amado Brasil.
Somente com
profunda análise, com a sociedade fazendo revisão completa de seus conceitos,
tendo por fundamento princípios morais e filosóficos, e, principalmente,
partindo para a realização de ações sociais concretas, baseadas em tais
princípios, demonstraremos a existência de consciência social, só assim
estaremos dando os primeiros passos para a solução dos inúmeros problemas que
afligem a coletividade ou continuaremos trilhando um caminho de destruição, até
o momento derradeiro sendo o Homem lobo do próprio Homem e Game Over.
“Vemos o ser
humano que já perdeu todos os laços de solidariedade. Isolado e sem consciência
de classe ou de família, ele se torna um número na massa e é capaz de perpetrar
as maiores atrocidades como quem carimba um papel.” (Ana Maria Dietrich –
Professora de Programa de Pós-graduação da Universidade Federal do ABC (in, Revista
Galileu, 285, página 50).
Sergio Luiz
Teixeira Braz
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