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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Consciência Social ou Game Over


Há um grande risco para a sociedade humana moderna, em especial a brasileira. Não é de hoje que coletividades enfraquecidas são manipuladas e submetidas por líderes que se tornam seus ditadores. Tal quadro político e social ainda é visível nos continentes Africano e Sul-americano, nos quais praticamente inexiste ou há um tímido desenvolvimento sócio-econômico e cultural. Nesse contexto, as carências servem de caldo de cultura no qual o ditador do momento cresce e passa a dominar. Não se pode olvidar que nem mesmo o Velho Continente deixou de acalentar seus ditadores. Mais do que isso, na verdade, foi justamente a Europa quem escreveu na história da humanidade os piores e mais sangrentos capítulos e quem forneceu os mais perniciosos e cruéis personagens nefastos. Podemos considerar como exemplo apenas dois: Adolf Hitler e Napoleão Bonaparte.
A despeito de períodos históricos distintos, porém nem tão distantes na linha do tempo, a França de Napoleão e a Alemanha de Hitler viviam momentos de crises e enfrentavam semelhantes e graves problemas econômicos e sociais.
Normalmente esse quadro começa a ser visualizado como decorrência de instabilidade econômica que leva à fragilidade de comando, criando uma correlata instabilidade política. Vale dizer, é instaurado um círculo vicioso no qual uma crise alimenta a outra. Diante desse quadro ocorre, como consequência, o agravamento e degradação das condições sociais.No âmbito privado a insegurança inviabiliza a manutenção ou o desenvolvimento das atividades econômicas, restringe substancialmente os empreendimentos e a soma dessas incertezas aumenta o nível de desemprego, reduz a produção e o PIB e, por fim, instaura um medo coletivo que alimenta a cultura inflacionária que, por sua vez, agrava ainda mais as crises sociais (econômicas, políticas,...), fazendo girar cada vez mais rápido o referido círculo vicioso.
Já no âmbito público os serviços à população perdem qualidade, os funcionários e servidores deixam de ter como foco principal a sua Função Pública e passam a se concentrar precipuamente na satisfação de suas condições pessoais. O comando estatal fica fragilizado, perde credibilidade e por tudo isso não consegue manter a rotina de atendimento dos objetivos e necessidades da sociedade.
A ocorrência concomitante de todas essas circunstâncias permite a ascensão de um líder ou de um grupo o qual a coletividade vê como o salvador da pátria, ou seja, a pessoa que resolverá todos os seus problemas, ou, pior, se submete pela força, a um comando ditatorial.
O momento vivido pela sociedade humana é muito preocupante, eis que em todos os continentes há grupos e Nações vivenciando situações semelhantes.
A violência está a cada dia mais banalizada. Matar ou morrer se tornou um fato comum. A dor e o sofrimento alheios não emocionam mais e não preocupam os demais semelhantes. Os grupos fragilizados, necessitados de mais, maiores e melhores atenção e atendimento são justamente os mais perversamente agredidos. Nesse passo, se vê diariamente muitos vulneráveis sendo agredidos e mortos. Crianças são desprezadas ou abusadas, mulheres são agredidas e violentadas, idosos e portadores de necessidades especiais são considerados invisíveis ou estorvos.
A corrupção se tornou um fato comum. As famílias estão se transformando, deixando de ser formadas biologicamente. Há um desvanecimento do sentimento de unidade familiar. Os indivíduos se afastam de seus familiares em prol do sentimento de pertencimento e de integração a um grupo social.
O paradigma familiar é substituído por um ídolo carismático que na mesma velocidade emerge e desaparece em meio à multiforme atividade social. Em muitas ocasiões são celebridades que surgem, distorcem princípios básicos da sociedade e na mesma velocidade desaparecem, deixando apenas o seu mau exemplo e uma herança nefasta para as novas gerações.
A mudança comportamental, tanto dos grupos como dos indivíduos, deslocou o mote de suas ações. Antes havia união em favor ou movida por princípios. O objetivo da união era defender ou preservar princípios, contudo, hodiernamente são os interesses pessoais a principal ou única razão, tanto para a união como para as ações coletivas ou individuais. Ainda que possa parecer paradoxal, ao invés de termos a união de forças para a realização de interesses coletivos, se tem a união de esforços exclusivamente para a satisfação de interesses individuais, sob a falsa alegação de atendimento de interesses da sociedade.
Muito mais pode ser agregado a essa análise, mas de tudo isso pode se depreender a observação de um quadro que fornece oportunidade para o aparecimento de novos líderes carismáticos ou manipulação da sociedade por grupos políticos, religiosos e econômicos ou representantes deles, na verdade laranjas, em qualquer lugar do mundo, desde o mais recôndito país da África até nosso amado Brasil.
Somente com profunda análise, com a sociedade fazendo revisão completa de seus conceitos, tendo por fundamento princípios morais e filosóficos, e, principalmente, partindo para a realização de ações sociais concretas, baseadas em tais princípios, demonstraremos a existência de consciência social, só assim estaremos dando os primeiros passos para a solução dos inúmeros problemas que afligem a coletividade ou continuaremos trilhando um caminho de destruição, até o momento derradeiro sendo o Homem lobo do próprio Homem e Game Over.
“Vemos o ser humano que já perdeu todos os laços de solidariedade. Isolado e sem consciência de classe ou de família, ele se torna um número na massa e é capaz de perpetrar as maiores atrocidades como quem carimba um papel.” (Ana Maria Dietrich – Professora de Programa de Pós-graduação da Universidade Federal do ABC (in, Revista Galileu, 285, página 50).

Sergio Luiz Teixeira Braz

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